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Jun 09
publicado por Barbara Barroso, às 00:00link do post | comentar

"Tenho um crédito à habitação e continuo sem perceber afinal qual é o mês que tem influência na minha prestação, e mesmo no banco já ouvi diferentes versões. Sendo a revisão do meu crédito em Agosto, com a Euribor a seis meses, como será calculada a Euribor? Gostaria também de saber onde posso ver os valores da Euribor. Obrigada"

(Raquel Pereira, Lisboa)

  

Para efeitos do cálculo da prestação do crédito à habitação é utilizada a média mensal do mês anterior ao da revisão, devendo ser calculada a média com a taxa que está indexada ao empréstimo. Ou seja, para quem tem a Euribor a três meses, é feita a média dessa taxa. Nos empréstimos indexados à Euribor a seis meses, é calculada a média mensal dessa taxa, e assim sucessivamente.
 
No caso da leitora, cuja revisão irá ocorrer em Agosto e tem a Euribor a seis meses, para o cálculo da próxima prestação será utilizada a média mensal da Euribor a seis meses registada no mês anterior (neste caso, Julho). No entanto, só irá pagar, de facto, a nova prestação em Setembro, devendo receber no mês de Agosto uma carta do banco que indicará o novo montante.
 
Relativamente ao histórico das médias da taxas Euribor, pode consultar no site do Banco de Portugal. Aqui no blog também vai encontrar as médias mensais das taxas Euribor a 3, 6 e 12 meses, desde o início do ano.
 
Utilize o simulador de crédito à habitação para saber qual o valor da prestação do seu empréstimo.

 


nekito_92@hotmail.com

Tenhu uma dúvida se me poderiam explicar, muito importante para um trabalho de Cálculo Financeiro:

Para montante de 30000, periodo de pagamento 84 meses, capital e juros todos os meses debitados da conta depósitos à ordem.

TAEG 10.92% para um empréstimo de 30000€ a 84 meses à taxa nominal indexada à EURIBOR 3 meses + 5% spread arredondada à milésima EURIBOR 3M = 4.238 % em Dez. 2008)

Fui ao banco Banif, disseram me que a TAEG não entrava para efeitos de calculo, apenas a EURIBOR e o Spread. Meu pro. de Cálculo disse que a TAEG é o que eu devo aplicar, sendo que esta resulta apartir da EURIBOR e do Spread.

Se for pa fazer o que o funcionário do Banco diz, é so aplicar o Spread em cima da taxa EURIBOR , e aplicar esta( EURIBOR *1.Spread) sobre o motante emprestádo.

Agora pelo que o meu prof. de Cálculo diz, não consigo calcular á TAEG a partir da EURIBOR e spread , pois não percebo a parte que diz "à taxa nominal?? indexada à Euribor 3 Meses"



Queria saber o que devo aplicar sobre os 30000,( visto que se trata de juro simples , pois nao acumula juro sobre juro porque é debitado no banco todos os meses) para saber ao todo, a pessoa que pedir o crédito, quanto pagará.

Luís Rafael a 4 de Julho de 2009 às 00:23

De facto a taxa que deve utilizar é a TAEG . Isto porque esta taxa tem em conta todos os custos associados à contratação do crédito, ou seja, além de juros e da duração do empréstimo, inclui, ainda as comissões bancárias, os impostos, os prémios de seguros, etc . A Taxa Anual Nominal TAN ) é a taxa que resulta da Euribor + Spread , que neste caso seria de 9,238%. Quando aplicada esta taxa ao cálculo apenas irá reflectir a amortização de capital mais juros. E, na verdade, existem outros custos como imposto selo, seguros, etc , que terá de pagar mensalmente e que estão reflectidos na TAEG . Aliás é, por essa razão, que se deve sempre olhar para a TAEG e não para a TAN . Nem sempre a taxa mais baixa TAN ) significa um custo menor. Aliás, podem existir casos de bancos com a mesma taxa mais que depois diferem na TAEG , exactamente por causa dos restantes custos. Se utilizar só a TAN a soma das prestações mensais durante os 84 meses irá dizer-lhe apenas quanto pagou de amortização de capital e juros. Ficam de fora os seguros, comissões, impostos, etc . Claro que pode sempre somar, à parte, o custo total que teve com essas despesas ao longo do período e assim saberá qual foi o custo total real do empréstimo. O melhor mesmo é utilizar a TAEG .

obrigada pela sua ajuda. só mais uma coisa. há alguma formula directa para calcular o Capital Acumulado a Pagar?
pelos cálculos do exel. dá 41325.48€, mas na consigo chegar a esses valores :\ usando a taxa nominal ou a efectiva no juro simples, dá-me sempre valores acima.
Luís Rafael a 4 de Julho de 2009 às 18:40

Experimente o simulador de crédito à habitação do blog. Utilize a TAEG que lhe indicada no campo da taxa e, nesse caso, onde diz 'spread' ponha 0. Depois terá o resultado de quanto terá pago na totalidade. Nas suas contas qual o valor que lhe está a dar?

No documento Exel que me enviou, substitui tudo e repeti 84 vezes o resultado, pois é 84 meses, na soma de tudo deu 41325.48€.
No simulador de crédito de habitação, dá 43042,61 %, pela taxa TAEG.

Se usar no lugar da taxa a EURIBOR e no lugar do spread os 5% dá-me o resultado de 40849,51€.

Eu calculo, pelo regime de juro simples e dá-me isto:

30000*0.1092*7=22932 juro + 30000=[52932€] que pagará no total.

Se usar juro composto ainda aumenta...
Luís Rafael a 4 de Julho de 2009 às 23:34

Os resultados dos cálculos serão sempre diferentes se tomarmos em conta a TAN ou, em vez dela, a TAEG. A fórmula utilizada no simulador para calcular as prestações do crédito, tem em conta a amortização do capital e pagamento de juros em cada uma das prestações. Não querendo estar a enganá-lo penso que a lógica de juros simples, como está a calcular, não é a que se aplica ao caso em questão de um crédito (em principio, ao consumo, dado o facto de indicar a TAEG). Em todo caso, leve os cálculos ao seu professor e veja o que ele lhe diz. Entretanto vou só tentar confirmar qual a fórmula correcta.

Comentário apagado.
Anónimo a 5 de Julho de 2009 às 09:40

Sim, está correcto o que diz. A partir do que aprendemos, não foi o suficiente para cálculos deste género, mas irei colocar no mínimo os simuladores de crédito, e a conclusão dos resultados. Caso se encontrar a maneira de calcular á "mão" informe-me.
Luís Rafael a 6 de Julho de 2009 às 11:35

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barbara barroso
Bárbara Barroso é jornalista do Dinheiro Vivo, o jornal digital de economia da Controlinveste (plataforma que engloba o DN, JN e TSF). Licenciada em Ciências da Comunicação e da Cultura, fez um Curso Intensivo de Banca, ministrou vários workshops sobre finanças pessoais, investimentos e orçamentos familiares e está a terminar uma certificação em em consultoria financeira pessoal (Certified Financial Planner – CFP), pela Universidade de Boston. Como jornalista foi coordenadora de economia do jornal i e redactora de finanças do Diário Económico, onde desenvolveu o suplemento de finanças pessoais deste jornal. Teve uma rubrica diária sobre poupança na rádio fi fm. Em 2009, lançou o seu primeiro livro: 19 Passos para Sobreviver à Crise. Em 2011 apresenta a sua segunda obra: Tempos Complicados, Soluções Simples - Saiba Como gerir Melhor o Seu Dinheiro.
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