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Jun 09
publicado por Barbara Barroso, às 00:00link do post | comentar
Há bancos que estão a aumentar os ‘spreads’ nos contratos de crédito à habitação em vigor. As associações de defesa dos consumidores já confirmaram ter recebido queixas de clientes sobre esta prática. Só a DECO já recebeu mais de duas dezenas de reclamações. Mas a verdade é que podem existir mais casos.
 
Com a descida das taxas Euribor muitos clientes nem se apercebem de que o ‘spread’ foi alterado, isto porque, na prática a prestação está a descer mas não tanto quanto devia. Os bancos acabam por compensar a subida do ‘spread’ com a descida das taxas de juro. O cliente já fica tão contente com o facto da prestação descer, por exemplo, 194 euros que nem se apercebe que, na realidade, deveria estar a pagar menos 210 euros. Uma diferença de 16 euros simplesmente porque o ‘spread’ subiu de 1% para 1,3%, e o cliente nem se apercebeu.
 
Por essa razão, deve ter atenção ao que o seu contrato de crédito à habitação diz. Isto porque, os bancos apenas podem alterar o ‘spread’ se estiver previsto no contrato, tendo sempre o cliente de ser avisado dessa alteração, ou se o ‘spread’ estiver dependente de determinadas condições, que deixem de se verificar, por exemplo, se o ‘spread’ conseguido tiver como condição que o cliente contrate com o banco mais alguns serviços e, a meio do contrato, o cliente decida cancelar alguns desses serviços (por exemplo: cartão de crédito, produtos de poupança ou investimento, etc.).
 
As duas situações que têm chegado às associações dos consumidores, e que devem ser alvo de denúncia, são:
  • Sem que o contrato o permita e sem o cliente ser avisado, o banco aumenta o ‘spread’
  • O contrato permite a alteração unilateral do spread, por parte do banco, mas o cliente, que tem de ser sempre informado, não tem conhecimento da alteração
Em qualquer uma destas duas situações o cliente deve confrontar o banco e, se necessário, apresentar uma reclamação. Para evitar ser apanhado se surpresa, o melhor mesmo é consultar o seu contrato de crédito à habitação e verificar se está prevista, ou não, a alteração unilateral por parte do banco.
 
Se conhece algum caso, ou se tiver alguma dúvida deixe o seu comentário ou envie um e-mail para: barbarabarroso@sapo.pt  

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barbara barroso
Bárbara Barroso é jornalista do Dinheiro Vivo, o jornal digital de economia da Controlinveste (plataforma que engloba o DN, JN e TSF). Licenciada em Ciências da Comunicação e da Cultura, fez um Curso Intensivo de Banca, ministrou vários workshops sobre finanças pessoais, investimentos e orçamentos familiares e está a terminar uma certificação em em consultoria financeira pessoal (Certified Financial Planner – CFP), pela Universidade de Boston. Como jornalista foi coordenadora de economia do jornal i e redactora de finanças do Diário Económico, onde desenvolveu o suplemento de finanças pessoais deste jornal. Teve uma rubrica diária sobre poupança na rádio fi fm. Em 2009, lançou o seu primeiro livro: 19 Passos para Sobreviver à Crise. Em 2011 apresenta a sua segunda obra: Tempos Complicados, Soluções Simples - Saiba Como gerir Melhor o Seu Dinheiro.
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